Certificação: a porta de entrada para trabalhar no mercado de capitais

outubro 28, 2011

Muitos jovens sonham em trabalhar no mercado financeiro e muitas vezes me perguntam o que têm que fazer para conseguir uma colocação em uma instituição financeira.  Como profissional dedicada ao desenvolvimento de pessoas para esse mercado, meu conselho é sempre o mesmo: comece fazendo uma prova de certificação.  Mas qual a mais adequada?

Em 2003, o Conselho Monetário Nacional, órgão diretivo do Mercado Financeiro, aprovou, através do Banco Central do Brasil, a Resolução 3158, que obriga os profissionais que mantém contato com o investidor, seja de renda fixa ou ações, a terem um mínimo de conhecimento sobre os produtos e sobre o mercado.  Foi um grande avanço para o mercado financeiro.  As certificações vêm elevando o nível dos profissionais e, conseqüentemente, eleva o nível do atendimento ao cliente, que tende a ser pautada na ética e no profissionalismo, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento do mercado financeiro e de capitais de uma maneira sustentada, e permitindo que as empresas captem recursos para o seu crescimento e o desenvolvimento do país.

São muitas certificações, uma sopa de letrinhas cujo sabor final é o crescimento profissional daqueles que buscam espontaneamente ou não as certificações.  Conheça cada uma delas.

Para aqueles que querem trabalhar na área comercial, existem as certificações abaixo:

  • ANBIMA CPA-10 – obrigatória para quem deseja trabalhar em agência bancária, como gerente de contas.  A ANBIMA é uma associação de mercado que representa instituições financeiras.
  • ANBIMA CPA-20 – obrigatória para quem deseja trabalhar com os trabalhar em trabalhar com os chamados investidores qualificados, aqueles que têm mais de R$ 300.000,00 aplicados no mercado financeiro.
  • ANCORD – obrigatória para quem quer ser agente autônomo de investimentos, aquele profissional que não é funcionário de nenhuma instituição financeira, mas representa determinadas instituições vendendo produtos de investimento, tal como ações e fundos de investimento. A ANCORD é uma associação que representa as Corretoras e Distribuidoras.  Além da prova da ANCORD, quem quer ser agente autônomo e trabalhar na corretora, tem que fazer a prova do PQO da BM&FBOVESPA também.
  • ANBIMA Private Banker/CFP® – é aconselhável para quem deseja trabalhar como Planejador Financeiro ou Private Banker, aquele profissional que atende clientes investidores que têm mais de alguns milhões de reais, dependendo esse corte das regras de cada banco.

Para aqueles que desejam trabalhar como consultores de investimento ligados a uma instituição bancária, a certificação adequada é a ANBIMA CEA.  Esse consultor é aquele profissional que não fica diretamente na agência, mas auxilia o profissional da área comercial, dando explicações aos clientes sobre investimentos.

Muitos jovens sonham em ser gestores de recursos, decidindo, por exemplo, que ações e títulos devem entrar ou sair de um fundo de investimento.  Para esses, é mandatória a certificação ANBIMA CGA, uma certificação muito extensa em termos de conhecimento necessário do postulante ao cargo.

A APIMEC, instituição que representa os profissionais do mercado de capitais, certifica os analistas de investimento.  O analista é aquele profissional que se dedica a analisar o desempenho do mercado, dos setores econômicos e das empresas, recomendando a compra ou venda de alguma ação.  Existem duas certificações para esses profissionais, a saber:

  • APIMEC CNPI-P – mandatória para os analistas fundamentalistas, aqueles profissionais que visitam as empresas e preparam relatórios recomendando a compra ou vende de suas ações, com base nos fundamentos da empresa.
  • APIMEC CNPI-T – focada nos analistas técnicos, aqueles profissionais que fazem recomendação de compra ou venda de ações com base em estudos estatísticos que se baseiam, de uma forma simplificada, no preço e volume negociados.

Há os profissionais que trabalham gerindo recursos de institutos de previdência municipal e estadual.  Esses profissionais devem, no mínimo, ter a certificação RPPS da ABIPEM, Associação Brasileira dos Institutos de Previdência Estadual e Municipal.

Por fim, a mais recente das certificações está voltada para os funcionários de correspondentes bancários, aquelas pessoas que trabalham nos supermercados, por exemplo, vendendo produtos financeiros.  Cabe ao SINDFIN e a ACREFI certificar esses profissionais.

Há muita confusão nesse mercado de certificação.  Aqueles que gostam de estudar, costumam não parar mais de fazer as provas e vão acrescentando cada vez mais letrinhas no seu cartão de visitas.  É louvável o perfeccionismo dessas pessoas, mas o mais importante é ter a certificação exigida pelo mercado e os órgãos reguladores para cada caso.  Afinal, você não pode exercer todos os papéis no mercado financeiro e terá que escolher se quer trabalhar na área comercial, como analista, consultor ou gestor.  A CVM, Comissão de Valores Mobiliários, é dura quanto a estas questões de conflito de interesse e fica de olho no profissional que se aventura a abraçar o mundo com as mãos, desempenhando mais de um papel nesse mercado.

Para o profissional, a certificação agrega muito valor.  Para começar, o up grade no conhecimento sobre o mercado e seus produtos permite que o profissional tenha mais confiança quando está de frente para seus clientes.  Certamente que essa atitude é percebida pelos clientes, se transformando em um aumento do relacionamento que estes têm com o banco.  E, à medida que o profissional vai tirando outras certificações, ele passa a ter acesso a outros nichos de clientes, mais sofisticados, além de permitir um crescimento não somente vertical na instituição financeira, mas também horizontal, exercendo outras atividades.

As provas das certificações são, na sua grande maioria, feitas no computador, com hora e local marcados.  A tabela abaixo mostra a quantidade de questões em cada prova.

Quantidade de questões nas certificações

A prova do CNPI é dividida em três partes.  A primeira, de conteúdo mais global  (CB) sobre o mercado e seus produtos, é obrigatória para quem vai fazer o CG1 (analista fundamentalista) e para quem quer fazer o CT1 (analista técnico), que têm a segunda fase separada.

O exame para o CGA é muito extenso em ambos os sentidos.  Tanto em quantidade de disciplinas como em profundidade técnica.  Aconselho fortemente a só se inscrever para esse exame aquelas pessoas que já tenham, no mínimo, um MBA em Finanças e que gostem de estudar.

O CPA-10 é a prova mais fácil.  O CPA-20 é uma prova que eu considero como um “must” para quem quer atender o cliente investidor, pois ela exige um mínimo de conhecimento de risco, fundamental para quem vai lidar diretamente com fundos de investimento, CDB, ações e outros investimentos financeiros.  Veja a seguir uma tabela comparativa sobre o conteúdo dos CPAs, com o grau de profundidade de cada disciplina em uma escala de zero a cinco sendo 0 (zero) a ausência de exigência e 5 (cinco) o conteúdo mais avançado, comparando-se as exigências das duas provas entre si.

Conhecimento requerido

Uma pergunta freqüente de quem quer fazer a prova é se para fazer uma certificação é necessário já ter a outra mais fácil.  Não, isso não é exigido pelas associações certificadoras.  Mas, aos iniciantes no tema, tenho aconselhado a fazer de vez a prova do CPA-20, mesmo para aqueles que só precisam da CPA-10 para trabalhar na agência.  Afinal, o conteúdo agrega muito mais para o profissional e, no caso dos cursos que tenho coordenado, ultimamente em parceria com o IBEF Rio (WWW.ibefrio.org.br), a carga horária adicional é de 20 horas.  Afinal, o aluno já está no pique de estudar e é só ir um pouco mais além.

Há alguns cursos preparatórios no mercado para essas provas.  A INVESTOTAL Educação (WWW.investotaleducacao.com.br) é a empresa que se dedica há mais tempo no Rio de Janeiro a preparar alunos para essas provas, desde os primórdios do exame do CPA-20.  Nosso índice de aprovação é acima da média do mercado.  Esse sucesso é fruto do profissionalismo e dedicação da equipe, cujos professores são profissionais do mercado na área em que lecionam e têm diversos livros publicados, inclusive com foco nos exames de certificação.  Oferecemos cursos presenciais e on line (abertos e in company) e temos convênios com o Banco do Brasil e o SINCOR-RJ.  Para se inscrever nos nossos cursos de certificação, basta enviar email para cursos@investotaleducacao.com.br ou eventos@ibefrio.org.br.

Resumindo, se você está interessado em ingressar no mercado financeiro, comece desde já a se preparar para as provas de certificação.  Na hora da contratação, a instituição financeira vai dar preferência a alguém já certificado.

Por que o número de investidores em ações vem caindo?

maio 5, 2011

Artigo publicado neste caderno do Valor Econômico recentemente mostrou que a bolsa perdeu mais de seis mil investidores em 2011, apesar da propaganda com o Pelé.  Por que será?

Segundo Paulo Levy da Icap Brasil, “se a bolsa se concentrasse na educação do investidor, algo que deixou mais para as corretoras, o resultado seria melhor”.  No meu entender, o problema não é tão simples assim e é sobre isso que quero expor meu ponto de vista.

Para começar, o Pelé pode ser carismático, mas a sua vivência é em futebol, não em investimentoem ações.  Sousua fã por diversos motivos, mas nesse campo, ele não transmite credibilidade.  É como se eu fosse fazer propaganda de uma bola de futebol.

Em segundo lugar, a bolsa está tentando vender o produto “ações” como se fosse uma roupa ou uma televisão e isso soa muito estranho pra mim.  A CVM impõe uma série de regras para venda de produtos de investimento, mas hoje em dia, todo mundo fala de ações como se fosse um ventilador.  Mas não é.

Depois, embora muitas corretoras tenham montado um setor que chamam de “Educação”, na verdade, em muitos casos, não passa de um monte de cursinhos e palestras que pouco ensinam e sim vendem os produtos da corretora.  Em alguns casos, as corretoras colocam no panfleto do curso um adicional de duas horas com um assessor “para ver como funciona na prática”. Traduzindo: exceções a parte, alguém com algum conhecimento dá o curso e depois vem a pessoa da área comercial com o cadastro para o aluno assinar, transformando esse aluno em um comprador de ações.

Não existe um verdadeiro trabalho de educação com o “E” maiúsculo.  Há cursos de oito horas apenas que ensinam o investidor a usar o home broker.  Terminado o tempo regulamentar, o investidor se acha “o cara” e sai dali se considerando um expert no assunto.  Quando a bolsa está “bombando”, ele fica todo feliz e ganha dinheiro sem muito esforço.  O problema é quando o mercado azeda e ele, assustado, se esforça para esquecer de vez que um dia comprou ações.  E nunca mais volta para o mercado.

Pior do que isso são os cursos de análise técnica.  Não estou aqui desmerecendo a metodologia, apenas dizendo que muitas pessoas fazem esses tais “cursos” de análise técnica de 4 ou 8 horas e depois começam a traçar as famosas “linhas de tendência” e acham que aquilo é a verdade absoluta.  Só que não é e acabam caindo do cavalo.  Pouco se vê curso de análise fundamentalista, que requer mais pesquisa do que questões visuais.

Todo mundo quer ganhar dinheiro fazendo pouco esforço e, no imaginário das pessoas, o mercado de capitais não passa de um jogo em que ganha mais dinheiro quem joga mais rápido e mais vezes.  Só que esse pensamento enriquece somente as corretoras e não o bolso do investidor que, ao descobrir o erro, sai fora do mercado e vai cantar em outra freguesia, voltando para o seu velho CDB ou poupança.

Em suma, para que o mercado de ações se desenvolva fortemente no Brasil, a mentalidade do investidor e do mercado como um todo tem que mudar e ela só mudará com um trabalho verdadeiro de educação.  Para isso, precisa de educadores e não de vendedores que sabem se expressarem público.  Hádiversas pessoas muito qualificadas no mercado que deveriam ser chamadas para participar dessa empreitada junto à BM&FBovespa, para traçar um Plano Diretor de Educação Financeira, junto com um representante das corretoras, da CVM e do meio acadêmico.  Em outra ocasião, escreverei sobre o tema.

Da minha parte, só acredito em sucesso na vida com um trabalho muito bem feito, que tenha o cliente como foco e não o ganho rápido de curto prazo, que pode levar todo o esforço do cadastro inicial para o ralo.  A fidelização do cliente se constrói com seriedade e em se tratando do nosso mercado acionário, com um trabalho sério de Educação.

Artigo de minha autoria, publicado na coluna Palavra do Gestor, caderno Eu&Investimentos, jornal Valor Econômico, dia 29-abr-2011


				

Nova turma CPA20

março 17, 2011

Aproveitando o espaço para divulgar uma nova turma preparatória para a prova da ANBIMA CPA-20, que se inicia no dia 23 de março, quarta-feira que vem.  Será no Centro do Rio, perto do metrô Carioca.

Carga horária: 59 horas (toda segunda e quarta, de 18:00 às 22:00 h)

Disciplinas: Sistema Financeiro Nacional, Economia, Estatística, Finanças, Compliance, Renda Fixa, Renda Variável, Oferta Pública de Valores Mobiliários, Derivativos, Fundos de Investimentos, Tributação, Gestão de Performance e Risco.

São 7 anos de experiência e alto nível de aprovação, bem acima do mercado.

Ainda temos algumas vagas.  Para se inscrever, deixe uma mensagem aqui no meu blog ou ligue 21 2215-0276.

Valor: R$ 1.160,00.  Funcionários do Banco do Brasil e associados do SINCOR-RJ têm desconto de R$ 200,00.

Este valor inclui todo o material didático, que inclui livro com o conteúdo (3 volumes de autoria de professores da Investotal Educação + Caderno de Exercícios)

E boa aprovação para todos!  Estarei lá dando as disciplinas de Sistema Financeiro, Economia, Finanças, Fundos e a Revisão Final.

O excesso de confiança e a alternativa da aplicação em fundos

março 9, 2011



Embora digam que o diferencial do ser humano para os demais seres do reino animal seja a sua capacidade de raciocinar, sabemos que, na prática, questões emocionais costumam ser responsáveis pelas nossas decisões.

Os estudos sobre finanças comportamentais listam uma série de vieses que interferem nessa capacidade de sermos racionais e que atrapalham nossa vida enquanto investidores. Dentre esses vieses, gostaria de abordar a questão do excesso de confiança, uma característica que superestima nossa capacidade de execução ou avaliação de algo.

Para começar, gostaria de citar uma pesquisa realizada com uma plateia. A pergunta foi: “Você se considera com capacidade superior à média para dirigir automóvel?”. Oitenta por cento da plateia disse que sim. Sabe-se, entretanto, que um número razoável de respostas seria na casa dos 50%. Esse é um caso típico de excesso de confiança.

Podemos, agora, transportar esse caso para o mundo dos investimentos. Ao longo dos meus 20 anos de experiência no mercado financeiro, já ouvi inúmeras vezes o investidor dizendo que é capaz de fazer melhor que o gestor de fundos e que, por isso, gosta de fazer ele próprio suas próprias escolhas e negociações de ações.

Além disso, muitos investidores, visando confirmar essa capacidade nata e “sobrenatural”, ainda acrescentam histórias do tipo: “Comprei essa ação por R$ 30,00 e vendi por R$ 39,00. Logo, ganhei 30%. Que fundo me daria essa rentabilidade?”

Esse tipo de investidor nunca se lembra das perdas, não contabiliza os custos de corretagem, emolumentos e custódia, nem considera o tempo que levou para obter esse ganho. Mas para que pensar em coisas ruins? Muito melhor é buscar casos de sucesso e que confirmam nossas convicções em vez de ficar falando das perdas, que nos colocam para baixo.

Além disso, o investidor menos informado acredita que o ideal é ficar comprando e vendendo com frequência. Não resta dúvida de que esse é o cliente ideal da corretora. Afinal, toda vez que o investidor realiza um negócio na bolsa, ele paga corretagem, aumentando os cofres da corretora e empobrecendo o do investidor.

O meu intuito neste artigo é alertá-lo para um investimento consciente, aquele que é tomado com base em análises sólidas, sem vieses. Muitos me perguntarão como isso é possível e a minha resposta sempre será “aplicando em um fundo de investimento que vem entregando boa performance, que seja de uma casa gestora competente e cuja política de investimento você considere ganhadora”.

O fundo de investimento é um veículo com muitas vantagens. Para começar, ele é capaz de medir com bastante acuidade a rentabilidade do investidor, levando em consideração todos os custos incorridos nas transações e as variações positivas e negativas nos preços dos papéis. Ou seja, os fundos não nos deixam mentir, nem permitem esconder as deficiências ou qualidades positivas do gestor.

Além disso, uma asset competente utiliza softwares de análise de risco sofisticados e tem profissionais altamente qualificados, capazes de selecionar a informação relevante para a tomada de decisão, sem se perder num emaranhado de notícias e números que mais confundem do que agregam valor.

Sem falar que, normalmente, suas decisões estratégicas são tomadas em comitês e raramente de forma isolada, o que tende a diminuir os vieses emocionais, aumentando a chance de sucesso.

Por fim, se aplicar seu dinheiro em fundos pode parecer algo tão enfadonho, que não requer o acompanhamento do investimento durante todo o tempo do pregão, algo que desconsidera sua capacidade e auto-confiança elevada, que tal se dedicar, então, a estudar os fundos para fazer a escolha do fundo certo?

Se investir em fundos parece coisa de investidor sem informação, fica aqui uma opinião: a aplicação em fundos de investimento é uma forma sofisticada de investir de forma racional, em busca de retornos consistentes com diversificação e liquidez. Afinal, é seu rico dinheirinho que está em jogo e não vale à pena brincar com essas coisas.

Publicado na coluna Palavra do Gestor, caderno EU&Investimentos, do Jornal Valor Econômico, em 09-mar-2011.

Lançamento do livro MINUTOS DE RIQUEZA

janeiro 28, 2011

Vou ficar muito feliz com a sua presença.

Novo livro: Minutos de Riqueza

dezembro 24, 2010

Hoje quero compartilhar com você a minha alegria pelo meu último livro: Minutos de Riqueza.  Trata-se de um livro com 252 verbetes, um para cada dia útil do ano.  Há alguns mais genéricos, que fala sobre questões comportamentais que são muito importantes para você ganhar dinheiro e outras mais objetivas, que menciona questões de investimento em si.

Saiba que foi feito com muito carinho e sempre pensando em ajudar as pessoas.  Ele pode ser adquirido nas livrarias normais.  Espero que gostem, e me mandem mensagens sobre ele.

E FELIZ NATAL para você.  Muita alegria e paz!

 



Por que o brasileiro gosta tanto de investir diretamente no banco?

novembro 10, 2010

Há alguns anos acompanho a indústria de fundos de investimento e percebi que bancos se fundem, novas empresas gestoras de recursos chegam ao mercado, mas nada de realmente significativo muda no mapa de ranqueamento disponível no site da Anbima com relação ao “market share” das três maiores gestoras de recursos do país.

De acordo com dados divulgados, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco juntos detêm sempre perto dos 50% desse mercado. Para ser mais precisa, esse volume atingiu 50,1% no fim de agosto.

Sempre me pergunto o porquê de o brasileiro agir assim. Afinal, quando estamos com um problema de coração, procuramos um cardiologista. Se temos problemas na pele, um dermatologista, e assim por diante. Ou seja, estamos sempre buscando especialistas. Daí vem minha inquietação: por que os brasileiros investem em fundos de investimento geridos por instituições generalistas e não por especialistas, no caso as empresas de gestão de recursos independentes?

A indústria de fundos de investimento é muito grande e já supera R$ 1,5 trilhão. Um trilhão de reais é um valor um tanto grande para nos fazer parar alguns instantes para refletir sobre esse mercado.

A tabela da Anbima mostra que as oito maiores gestoras de fundos são responsáveis por 74,9% desse mercado, ou R$ 1.122,8 bilhão sob gestão. São todas ligadas a bancos ou o próprio banco. Apenas em nono lugar aparece a BNY Mellon Arx. Finalmente alguém independente no Brasil. Ufa!

Depois de tanto refletir e do “feedback” recebido de alunos e investidores, cheguei a algumas conclusões. Em primeiro lugar, e pela experiência que tenho em lidar com investidores, percebi que muitos deles não têm o correto entendimento do papel de cada participante do mercado de capitais. O que faz uma corretora? O que é uma distribuidora, uma asset ou um agente autônomo de investimentos?

De repente, com o modismo dos IPOs, alguns já entendem que para comprar ações na bolsa, só por intermédio de uma corretora. Entretanto, sei que diversos investidores de bolsa se utilizam de bancos para comprar ações. Nada contra o fato, porém faço aqui uma ressalva. Muitos se utilizam de instituições que não têm corretora e esses bancos terceirizam o serviço, recebendo parte da corretagem gerada.

Acredito que os clientes devem ter assinado algum documento tomando ciência do fato, mas, pela minha experiência em sala de aula e ouvindo investidores, muitos deles não se dão conta disso. O problema não está em usar o serviço de terceiros, mas sim em não saber que está utilizando o serviço de uma corretora que não faz parte do grupo do banco.

Também, por não compreenderem corretamente que um fundo de investimento encontra-se apartado do banco, sendo um condomínio de pessoas com objetivos comuns de investimento e com demonstrativos financeiros a parte, a percepção que esses clientes têm sobre o produto “fundos” é que o risco que correm ao aplicar em um fundo de investimento é o risco do banco. Em outras palavras, ao investir em um fundo, muitos investidores acreditam que estão investindo no banco.

Posso falar com muita clareza sobre esse tema porque treino executivos do mercado financeiro para as provas de certificação. Se nem mesmo muitos gerentes de bancos têm essa compreensão clara sobre fundos, que dirá os clientes, que, na sua maioria, aplicam sem ler o prospecto do fundo.

Toda essa questão passa por educação financeira. Por já ter morado no exterior e trabalhado com o mercado internacional, vejo que estamos engatinhando nesse campo minado de gestão de recursos. Ainda temos uma longa caminhada até atingirmos a maturidade de ambos os participantes: investidores e profissionais. Mas tenho certeza de que estamos no caminho certo desse amadurecimento.

De um lado temos as exigências dos órgãos reguladores em termos das certificações exigidas dos profissionais. Do outro lado, temos investidores cada vez mais informados. Oxalá tudo dê certo no longo prazo (tomara que não seja tão longo!) e vejamos mais investidores aplicando seus recursos nas assets especialistas através de seus distribuidores.

Se uma dor no coração nos remete ao cardiologista, por que não buscar fundos geridos por assets especialistas para realizar um investimento?

Publicado no jornal Valor Econômico, em Palavra do Gestor, em 10/11/2010

Minhas observações sobre a campanha eleitoral

outubro 2, 2010

Sei que me propus a escrever sobre investimento nesse espaço, mas não posso me furtar a falar de eleição na véspera de um dia tão importante.  Amanhã vamos votar para presidente, governador, dois senadores, deputado estadual e federal.  E prometo que depois de amanhã volto ao que propus ser normal: escrever sobre investimentos.

Não quero fazer apologia a nenhum candidato, mas apenas fazer uma observação sobre o que vi nesses últimos meses, comentar os emails que recebi,  o  que vi na TV e no youtube, o que escutei nos elevadores e nas ruas.  Enfim, fazer um apanhado geral e resumido de tudo.

Para começar, gostaria de falar do que mais me aflige: a desinformação do nosso povo.  Descobri que as pessoas não sabem o verdadeiro papel de um político, a diferença entre um cargo legislativo e executivo.  O que faz um deputado federal ou um senador?  Se for feita uma pesquisa nas ruas, tenho certeza que menos de 10% das pessoas entrevistadas vão responder corretamente.

Próximo ponto: o candidato poste.  Fiquei chocada com algumas propagandas na TV, em que o candidato fica imóvel como um poste e ao lado dele tem alguém pedindo voto para ele.  Como pode alguém fazer um papelão desses?  Falo aqui de ambas as partes: o famoso que pede o voto e o candidato poste.  Isso é incrível e só em país tupiniquim pode acontecer algo assim.

Pau a pau com o candidato poste em termos de absurdo é a candidatura de algumas pessoas como o palhaço Tiririca.  Nada contra um palhaço se eleger, mas sua propaganda ofende qualquer cidadão que tenha o mínimo de respeito pelo seu país e pelas leis.  Foi lamentável a postura de alguns candidatos e tenho vontade de chorar quando penso que gente assim vai receber uma enxurrada de votos.

No mesmo nível de absurdo estão os candidatos que roubam mas convencem você que eles são uma maravilha.  Pessoas fichas sujas (provadas ou a caminho de serem provadas) que conseguem milhares de votos só comprovam que os valores do nosso povo estão em franca decadência.  É lastimável observar tudo isso acontecendo e não poder fazer nada além de escrever no meu blog ou enviar algumas cartas de leitores para os principais jornais e revistas do país.

Por fim, de modo pontual, gostaria de comentar a postura de nosso presidente.  Apesar de não ter votado nele nos seus dois mandatos, as nossas leis dizem que ele é presidente do nosso país e, como brasileira, sou obrigada a considerá-lo meu presidente também.  Fiquei chocada com sua postura nessas eleições.  Como pode um presidente que recebe salário pago com o dinheiro público (logo nosso) ficar fazendo campanha para políticos e partidos?  Ele é pago com o nosso dinheiro para trabalhar em horário integral pelo país.  Enquanto estiver no cargo, ele tem que representar todo o povo brasileiro e não apenas uma parte do povo.  Fico muito triste em constatar a postura de nosso presidente, que no frigir dos ovos, nada mais é do que reflexo de um país que tem um povo sem noção dos limites entre a coisa pública e a privada.  Mais uma vez, está faltando a educação.

A meu ver, as observações aqui apresentadas de forma muito resumida, nada mais são do que o resultado de um povo oprimido sem ter noção dessa opressão.  Sim, uma opressão pela falta de educação.  Todas as coisas que comentei aqui só são possíveis porque não temos educação política e de bancos escolares.  É incrível que, depois de 8 anos no governo, a candidata da situação ainda fale que vai resolver o problema da saúde, do saneamento, da educação e tantos outros mais.  Ora, essa solução já não fora prometida pelo seu antecessor?  Mas com o nível de escolaridade tão baixo como o do nosso povo, não se pode esperar muita compreensão sobre a dimensão do que está acontecendo.  Essa eleição é a constatação de que a educação não é prioritária para político.  Um povo educado não elegeria esses políticos que temos aí, na sua grande maioria presa a modelos arcaicos de fazer política e apenas famintos pelo poder e pelas facilidades inescrupulosas de enriquecimento ilícito às custas do dinheiro público.

É a eleição do marketing.  Quem vencerá essa e venceu as outras duas eleições passadas, certamente não foi o candidato, mas o marketeiro que estava por trás do político.  No mundo em que vivemos, não importa o que a pessoa é, mas sim o que ela parece ser.  Vivemos no “faz de conta”.  E, para que a pessoa seja capaz de discernir entre o real e o imaginário, vai um longo percurso,  só percorrido com muita educação, educação essa que seja capaz de desenvolver capacidade crítica no indivíduo.  E, convenhamos, isso é algo que esses políticos não querem ver desenvolvida na população!

Quando penso nessas coisas todas, fico triste.  Afinal sou brasileira e gostaria de ver meu país diferente, onde as pessoas tivessem o mínimo de educação formal, água encanada, esgoto tratado, escolas boas para seus filhos, o mínimo do mínimo.  Mas, depois da vergonha dessa eleição, tudo que posso constatar é que para manter esse status quo dos políticos atuais,  temos que ficar como estamos.  E, o que é básico para um morador do primeiro mundo, ainda está a léguas de distância para o povo brasileiro.  É o “me engana que eu gosto”…

Técnica ensina como comprar na baixa e vender na alta

agosto 19, 2010

Se você é uma daquelas pessoas que têm medo de investir em ações porque não sabem a hora certa de entrar nem de sair ou já ouviu histórias de amigos que perderam dinheiro na bolsa, saiba que é possível aprender a investir de forma simples e eficiente sem ser um especialista. O primeiro passo de um investidor de sucesso é a definição de seu perfil, base para a alocação dos recursos. Sem querer repetir o que é dito por muitos consultores, a correta alocação é responsável por mais de 90% do retorno de uma carteira.

Ou seja, é mais importante você definir quanto vai investir nos grandes grupos de investimento, como imóveis, ações e renda fixa, por exemplo, do que se vai comprar ações da Vale ou Natura.

Antes de começar a investir é preciso analisar algumas questões:

- Patrimônio líquido

- Fontes de seus recursos

- Necessidades de liquidez -

Grau de conhecimento sobre o mercado financeiro

- Tolerância a correr riscos

- Fase no ciclo da vida (acumulação, consolidação ou distribuição).

Depois disso, você estará pronto para definir sua política de investimento, que norteará como deve ser distribuído seu dinheiro e, de forma mais pontual, quanto em ações você deve investir para atingir os objetivos traçados.

Vamos supor, de forma simples, que você definiu que sua carteira de investimentos financeiros deve ter 30% em ações e 70% em renda fixa e que seus recursos totalizam R$ 100 mil. Logo, você vai investir R$ 30 mil em ações e os outros R$ 70 mil em renda fixa.

Após um tempo, você decide fazer uma análise criteriosa dos seus investimentos. Nota, então, que seus investimentos em ações valem agora R$ 35 mil e a renda fixa, R$ 71 mil. Isso significa que seu posicionamento em ações foi para 33% e, em renda fixa, 67%.

Você está, portanto, desbalanceado e deve fazer algum movimento de forma a retornar à sua alocação estratégica. Basta, portanto, resgatar R$ 3.200,00 de ações e aplicar esse valor em renda fixa, totalizando um novo montante de R$ 31.800,00 em ações e R$ 74.200,00 em renda fixa.

Fazendo isso você estará vendendo na alta e retornando aos 30/70 de perfil, mesmo sem ter um sofisticado entendimento sobre o mercado acionário.

Suponhamos agora o caso contrário. Imagine que a bolsa caiu 20% e a renda fixa valorizou o mesmo tanto anterior. Logo, você agora tem R$ 24 mil em ações e R$ 71 mil em renda fixa, o que significa 25% dos investimentos em ações e os outros 75% em renda fixa. Isso está totalmente fora de sua meta.

Como disciplina é fundamental para realizar tudo na vida, é hora de você fazer o inverso, ou seja, resgatar R$ 4.500,00 de renda fixa e investir em ações, voltando ao velho e fiel 30/70.

O rebalanceamento é uma ferramenta simples e muito importante para controlar o risco da carteira, impulsionando sua performance de acordo com o seu perfil de investidor. Só resta saber, então, com qual periodicidade deve-se fazer esse reposicionamento dos seus investimentos.

Pode ser, por exemplo, trimestral ou anual. Esse não é o “X” da questão. O mais importante é fazê-lo sempre na mesma época do ano, para criar o hábito e não cair no esquecimento. Outra possibilidade é rebalancear quando a alocação estiver 5% distante do peso-meta definido para a alocação. Em outras palavras, utilizando o exemplo aqui citado, quando o percentual em ações tiver alcançado 35% ou 25%, é hora de reacomodar a alocação de seus investimentos.

Alguns críticos da técnica argumentam que o rebalanceamento pode não proporcionar o maior retorno à carteira. Em alguns casos, isso pode ser verdade. Mas a adesão à metodologia é aconselhável quando se consideram dois pontos:

- A boa técnica de gestão advoga uma coerência à sua política de investimento como ponto central para obtenção dos resultados almejados,

- Para obter o maior retorno possível pode ser necessário correr riscos acima do desejável pelo investidor.

O rebalanceamento é importante quando se considera que, afinal, uma noite de sono bem dormida por conta de disciplina é sempre bom.

Publicado no Valor Econômico de 19/08/2010

Os diferentes níveis de agentes autônomos de investimento

junho 11, 2010

Nas últimas duas semanas, o Valor publicou alguns artigos sobre a atividade do agente autônomo de investimento e a proposta de nova instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a cerca dessa atividade. Foram diferentes visões, mas nenhuma tocou em um ponto de suma importância: a preparação do agente autônomo de investimento para exercer a atividade que ele deseja.

De acordo com a exigência das instruções vigente e proposta pela CVM, para se tornar um agente autônomo de investimento, o profissional deve ser aprovado em exame de certificação promovido pela Associação Nacional das Corretoras (Ancor) e ter o ensino médio.

Por atuar de perto com agentes autônomos de investimento, posso falar com experiência da necessidade desse profissional se preparar adequadamente para exercer as atividades a que aspira, ou seja, não apenas intermediar a distribuição de produtos de investimento, mas também assessorar seus clientes na escolha do produto que melhor se adapta ao seu perfil de risco, às suas necessidades de liquidez e aos seus anseios de retorno (“suitability”), exigência da própria CVM e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Como professora, coordenadora e sócia de uma empresa de treinamento focada nos diferentes exames de certificação de mercado, conheço as diferenças dos diversos níveis das provas. Tenho, portanto, algumas dúvidas se apenas o nível de educação formal exigida e a prova da Ancor são capazes de assegurar que esse profissional preste a tão desejada consultoria seguindo todas as boas técnicas que tal prática exige. Daí que muitos profissionais estão continuamente buscando aprimoramento.

Como resolver, então, o problema gerado pela nova instrução da CVM, objeto de audiência pública 03/10, que deseja nivelar por baixo todos esses profissionais? A resposta é única: exigindo uma preparação adequada e contínua desse profissional.

No meu entender, deveriam existir talvez três níveis de certificação para os agentes autônomos, assim como na Anbima e no Certificado Nacional do Profissional de Investimento (CNPI). De acordo com o nível de escolaridade do profissional e da aprovação nos exames de certificação, o agente autônomo de investimentos estaria apto a prestar mais serviços aos seus clientes, chegando ao topo, quando seria capaz de assessorá-los nas suas decisões de investimento de uma forma mais completa e manter contrato com diversas instituições financeiras.

Se você vislumbra a possibilidade de haver conflito de interesse entre a atividade de intermediação e de assessoria, fica aqui uma pergunta: quando você fala com seu gerente no banco, o que espera dele? Que ele empurre qualquer coisa ou que simplesmente mostre uma tabela de rentabilidades e não diga nada; ou que ele indique a você o produto correto para a sua necessidade e a realização de seus sonhos? Pense nisso.

Por acreditar que trabalhar com transparência é sempre recomendável, fica aqui outra sugestão. Que tal se o cliente assinasse um Termo de “Disclosure” tomando ciência da forma como o profissional é remunerado e do seu nível como agente autônomo? Sempre há uma saída mais inteligente do que simplesmente proibir e deixar órfãos os milhares de clientes atendidos por esses profissionais. O que não se pode é simplesmente nivelar por baixo todos os agentes autônomos de investimento, pressupondo que ninguém é capaz de dar o atendimento correto e ser ético no seu relacionamento.

Lembro, por fim, que esse profissional é muito importante para o desenvolvimento do mercado de capitais, para que ele atinja a capilaridade necessária para o seu crescimento. Depois de ler e reler todo o texto da audiência pública, fica a impressão de que há uma divergência entre o que a CVM entende que deva ser a atividade do agente autônomo de investimento e o que ela realmente deveria ser. Afinal, esse profissional, enquanto intermediário na operação, tem o compromisso e a responsabilidade de buscar o melhor para o cliente. O caminho a seguir deveria ser a busca pela melhora do nível desse profissional e do mercado como um todo. No mundo do home broker, limitar a ação desses profissionais à simples captação de ordens é condenar à extinção essa profissão.

Divulgado no Valor Econômico de 11/06/2010, em Palavra do Gestor.


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