Sei que me propus a escrever sobre investimento nesse espaço, mas não posso me furtar a falar de eleição na véspera de um dia tão importante. Amanhã vamos votar para presidente, governador, dois senadores, deputado estadual e federal. E prometo que depois de amanhã volto ao que propus ser normal: escrever sobre investimentos.
Não quero fazer apologia a nenhum candidato, mas apenas fazer uma observação sobre o que vi nesses últimos meses, comentar os emails que recebi, o que vi na TV e no youtube, o que escutei nos elevadores e nas ruas. Enfim, fazer um apanhado geral e resumido de tudo.
Para começar, gostaria de falar do que mais me aflige: a desinformação do nosso povo. Descobri que as pessoas não sabem o verdadeiro papel de um político, a diferença entre um cargo legislativo e executivo. O que faz um deputado federal ou um senador? Se for feita uma pesquisa nas ruas, tenho certeza que menos de 10% das pessoas entrevistadas vão responder corretamente.
Próximo ponto: o candidato poste. Fiquei chocada com algumas propagandas na TV, em que o candidato fica imóvel como um poste e ao lado dele tem alguém pedindo voto para ele. Como pode alguém fazer um papelão desses? Falo aqui de ambas as partes: o famoso que pede o voto e o candidato poste. Isso é incrível e só em país tupiniquim pode acontecer algo assim.
Pau a pau com o candidato poste em termos de absurdo é a candidatura de algumas pessoas como o palhaço Tiririca. Nada contra um palhaço se eleger, mas sua propaganda ofende qualquer cidadão que tenha o mínimo de respeito pelo seu país e pelas leis. Foi lamentável a postura de alguns candidatos e tenho vontade de chorar quando penso que gente assim vai receber uma enxurrada de votos.
No mesmo nível de absurdo estão os candidatos que roubam mas convencem você que eles são uma maravilha. Pessoas fichas sujas (provadas ou a caminho de serem provadas) que conseguem milhares de votos só comprovam que os valores do nosso povo estão em franca decadência. É lastimável observar tudo isso acontecendo e não poder fazer nada além de escrever no meu blog ou enviar algumas cartas de leitores para os principais jornais e revistas do país.
Por fim, de modo pontual, gostaria de comentar a postura de nosso presidente. Apesar de não ter votado nele nos seus dois mandatos, as nossas leis dizem que ele é presidente do nosso país e, como brasileira, sou obrigada a considerá-lo meu presidente também. Fiquei chocada com sua postura nessas eleições. Como pode um presidente que recebe salário pago com o dinheiro público (logo nosso) ficar fazendo campanha para políticos e partidos? Ele é pago com o nosso dinheiro para trabalhar em horário integral pelo país. Enquanto estiver no cargo, ele tem que representar todo o povo brasileiro e não apenas uma parte do povo. Fico muito triste em constatar a postura de nosso presidente, que no frigir dos ovos, nada mais é do que reflexo de um país que tem um povo sem noção dos limites entre a coisa pública e a privada. Mais uma vez, está faltando a educação.
A meu ver, as observações aqui apresentadas de forma muito resumida, nada mais são do que o resultado de um povo oprimido sem ter noção dessa opressão. Sim, uma opressão pela falta de educação. Todas as coisas que comentei aqui só são possíveis porque não temos educação política e de bancos escolares. É incrível que, depois de 8 anos no governo, a candidata da situação ainda fale que vai resolver o problema da saúde, do saneamento, da educação e tantos outros mais. Ora, essa solução já não fora prometida pelo seu antecessor? Mas com o nível de escolaridade tão baixo como o do nosso povo, não se pode esperar muita compreensão sobre a dimensão do que está acontecendo. Essa eleição é a constatação de que a educação não é prioritária para político. Um povo educado não elegeria esses políticos que temos aí, na sua grande maioria presa a modelos arcaicos de fazer política e apenas famintos pelo poder e pelas facilidades inescrupulosas de enriquecimento ilícito às custas do dinheiro público.
É a eleição do marketing. Quem vencerá essa e venceu as outras duas eleições passadas, certamente não foi o candidato, mas o marketeiro que estava por trás do político. No mundo em que vivemos, não importa o que a pessoa é, mas sim o que ela parece ser. Vivemos no “faz de conta”. E, para que a pessoa seja capaz de discernir entre o real e o imaginário, vai um longo percurso, só percorrido com muita educação, educação essa que seja capaz de desenvolver capacidade crítica no indivíduo. E, convenhamos, isso é algo que esses políticos não querem ver desenvolvida na população!
Quando penso nessas coisas todas, fico triste. Afinal sou brasileira e gostaria de ver meu país diferente, onde as pessoas tivessem o mínimo de educação formal, água encanada, esgoto tratado, escolas boas para seus filhos, o mínimo do mínimo. Mas, depois da vergonha dessa eleição, tudo que posso constatar é que para manter esse status quo dos políticos atuais, temos que ficar como estamos. E, o que é básico para um morador do primeiro mundo, ainda está a léguas de distância para o povo brasileiro. É o “me engana que eu gosto”…
outubro 12, 2010 às 4:49 pm |
Parabéns, voce conseguiu expressar o que todos sentimos e, poucos falam… divulgue, o País agradece… Abçs